O punk foi um movimento que ficou conhecido pela máxima do Do It Yourself (faça você mesmo). Dentro do âmbito musical, inúmeros grupos utilizaram desse precedente para transmitir sua mensagem. Entretanto, o The Toy Dolls, formado no fim dos anos 1970, conseguiu potencializar esse pensamento e se tornou único dentro de um estilo já autêntico. Se a maioria das bandas era agressiva, o TD era técnico e mais refinado. Se muitos possuíam letras de protesto, o trio inglês abusava da ironia. Portanto, não é de se estranhar que o grupo segue na ativa há três décadas e volta ao Brasil para mostrar que ainda há talento e originalidade dentre os precursores. Confira o que Olga, vocalista, guitarrista, fundador e líder dos The Toy Dolls, pensa sobre a cena punk atual, a carreira do grupo e muito mais na entrevista abaixo:
1 – Nos anos 1980, a cena punk tinha grupos que ficaram caracterizados pela abordagem agressiva e não-conformista, como The Exploited, The Varukers, G.B.H, entre muitos outros. O The Toy Dolls, por sua vez, era um grupo mais técnico e “divertido”, com letras e melodias cheias de ironia, mas sem soar tão agressivo quanto a maioria das bandas da época. Hoje, a chamada cena punk é formada por grupos como Green Day e The Offspring, entre outros, que são, em muitos aspectos, menos agressivos que o próprio The Toy Dolls. Como você vê as mudanças que ocorreram durante todos esses anos? Você aprecia a cena punk atual?
Olga: Para ser honesto, eu gosto de todos os tipos de punk, de Stiff Little Fingers ao Green Day. Parece-me, entretanto, que as bandas punks mais novas (especialmente as dos EUA) saíram de um background mais rico financeiramente do que os grupos ingleses. Não é um problema pra mim, embora eu goste mais das formações inglesas do que das norte-americanas. Bandas da Califórnia (EUA) têm sol 15 horas por dia, piscinas etc. Isso pode resultar em letras e melodias diferentes daquelas que se formaram na chuvosa classe operária britânica. A razão pela qual nos mantivemos afastados das letras políticas/agressivas foi somente para criar um escapismo de uma hora ou mais. É sadio esquecer as coisas tristes/ruins que acontecem a nossa volta por algumas horas para que se possa enfrentar as coisas com um olhar mais saudável, acredito.
2 – Diferente de outros grupos oitentistas, o The Toy Dolls não era mesmo sobre política ou protesto, liricamente. Vocês encontraram resistência por parte dos fãs por conta do conteúdo de suas letras ou elas sempre foram bem aceitas?
Olga: Boa pergunta. Acho que não fomos bem aceitos em termos de letras no começo. Após alguns anos, quando as pessoas perceberam que não éramos uma banda comédia/piada/divertida (nós odiamos que essas palavras sejam associadas ao The Toy Dolls. Levamos muito a sério aquilo que fazemos!), os fãs começaram a nos tratar de maneira diferente. Nós gostamos de pegar situações depressivas e olhar o lado bom delas. É isso.
3 – A banda completou recentemente três décadas na ativa. Há algum arrependimento na bem sucedida carreira do grupo?
Olga: Yeah! 30 anos que pareceram três! Obrigado. Nós sempre tocamos aquilo que quisemos e que nos fazia feliz, sem pretensões de “estourar” no mainstream ou nada parecido. Estamos 100% satisfeitos com aquilo que conquistamos. Ensaiamos muito, o que é tedioso, mas precisa ser feito. Nenhum arrependimento, de verdade.
4 – O que motiva vocês a manterem a banda na estrada, com diversas turnês e shows durante tantos anos?
Olga: Bem, uma das razões é a lealdade dos fãs. É algo incrível. Fora também o fato de gostarmos e nos divertirmos bastante. É um pouco cansativo ter que viajar de tempos em tempos, mas os shows compensam isso. Acho que quando começarmos a ficar entediados, iremos parar. O público iria notar de imediato. Não há razão para manter a banda se não estivermos felizes. Eu preferiria arrumar um emprego no supermercado local se um dia chegarmos a esse ponto.
5 – Na primeira passagem do grupo pelo Brasil, você tomou um soco no rosto de um fã em pleno palco, no meio do show. Como você se recorda desse episódio hoje?
Olga: Com dor, é claro. Foi um ótimo show, mas me custou um dente. Espero que não aconteça de novo.
*O The Toy Dolls se apresenta em terras brasileiras nos dias 23/09, em Porto Alegre; 24/09, em Curitiba; e em 25/09, em São Paulo.





























