5 TO ROCK

5 perguntas! 5 respostas!

THE TOY DOLLS – ENTREVISTA

Posted by fivetorock em agosto 24, 2010

O punk foi um movimento que ficou conhecido pela máxima do Do It Yourself (faça você mesmo). Dentro do âmbito musical, inúmeros grupos utilizaram desse precedente para transmitir sua mensagem. Entretanto, o The Toy Dolls, formado no fim dos anos 1970, conseguiu potencializar esse pensamento e se tornou único dentro de um estilo já autêntico. Se a maioria das bandas era agressiva, o TD era técnico e mais refinado. Se muitos possuíam letras de protesto, o trio inglês abusava da ironia. Portanto, não é de se estranhar que o grupo segue na ativa há três décadas e volta ao Brasil para mostrar que ainda há talento e originalidade dentre os precursores. Confira o que Olga, vocalista, guitarrista, fundador e líder dos The Toy Dolls, pensa sobre a cena punk atual, a carreira do grupo e muito mais na entrevista abaixo:

1 – Nos anos 1980, a cena punk tinha grupos que ficaram caracterizados pela abordagem agressiva e não-conformista, como The Exploited, The Varukers, G.B.H, entre muitos outros. O The Toy Dolls, por sua vez, era um grupo mais técnico e “divertido”, com letras e melodias cheias de ironia, mas sem soar tão agressivo quanto a maioria das bandas da época. Hoje, a chamada cena punk é formada por grupos como Green Day e The Offspring, entre outros, que são, em muitos aspectos, menos agressivos que o próprio The Toy Dolls. Como você vê as mudanças que ocorreram durante todos esses anos? Você aprecia a cena punk atual?
Olga:
Para ser honesto, eu gosto de todos os tipos de punk, de Stiff Little Fingers ao Green Day. Parece-me, entretanto, que as bandas punks mais novas (especialmente as dos EUA) saíram de um background mais rico financeiramente do que os grupos ingleses. Não é um problema pra mim, embora eu goste mais das formações inglesas do que das norte-americanas. Bandas da Califórnia (EUA) têm sol 15 horas por dia, piscinas etc. Isso pode resultar em letras e melodias diferentes daquelas que se formaram na chuvosa classe operária britânica. A razão pela qual nos mantivemos afastados das letras políticas/agressivas foi somente para criar um escapismo de uma hora ou mais. É sadio esquecer as coisas tristes/ruins que acontecem a nossa volta por algumas horas para que se possa enfrentar as coisas com um olhar mais saudável, acredito.

Olga (à esq.) ao vivo com o The Toy Dolls


2 – Diferente de outros grupos oitentistas, o The Toy Dolls não era mesmo sobre política ou protesto, liricamente. Vocês encontraram resistência por parte dos fãs por conta do conteúdo de suas letras ou elas sempre foram bem aceitas?
Olga:
Boa pergunta. Acho que não fomos bem aceitos em termos de letras no começo. Após alguns anos, quando as pessoas perceberam que não éramos uma banda comédia/piada/divertida (nós odiamos que essas palavras sejam associadas ao The Toy Dolls. Levamos muito a sério aquilo que fazemos!), os fãs começaram a nos tratar de maneira diferente. Nós gostamos de pegar situações depressivas e olhar o lado bom delas. É isso.

Olga: "Levamos muito a sério aquilo que fazemos"

3 – A banda completou recentemente três décadas na ativa. Há algum arrependimento na bem sucedida carreira do grupo?
Olga:
Yeah! 30 anos que pareceram três! Obrigado. Nós sempre tocamos aquilo que quisemos e que nos fazia feliz, sem pretensões de “estourar” no mainstream ou nada parecido. Estamos 100% satisfeitos com aquilo que conquistamos. Ensaiamos muito, o que é tedioso, mas precisa ser feito. Nenhum arrependimento, de verdade.


4 – O que motiva vocês a manterem a banda na estrada, com diversas turnês e shows durante tantos anos?
Olga:
Bem, uma das razões é a lealdade dos fãs. É algo incrível. Fora também o fato de gostarmos e nos divertirmos bastante. É um pouco cansativo ter que viajar de tempos em tempos, mas os shows compensam isso. Acho que quando começarmos a ficar entediados, iremos parar. O público iria notar de imediato. Não há razão para manter a banda se não estivermos felizes. Eu preferiria arrumar um emprego no supermercado local se um dia chegarmos a esse ponto.


5 – Na primeira passagem do grupo pelo Brasil, você tomou um soco no rosto de um fã em pleno palco, no meio do show. Como você se recorda desse episódio hoje?
Olga:
Com dor, é claro. Foi um ótimo show, mas me custou um dente. Espero que não aconteça de novo.


*O The Toy Dolls se apresenta em terras brasileiras nos dias 23/09, em Porto Alegre; 24/09, em Curitiba; e em 25/09, em São Paulo.

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MARCO NUNES – ENTREVISTA

Posted by fivetorock em junho 23, 2010

Que o Brasil possui uma cena metal cada vez maior e com bandas de qualidade, ninguém duvida. Com o aumento do profissionalismo dos músicos, há também uma ainda lenta, porém gradativa evolução em todos os aspectos que envolvem a produção artística dos grupos. Nesse âmbito, a produção especializada de álbuns está entre os primeiros e mais importantes. Se nos anos 1980 as bandas tinham que se virar com o técnico de áudio de plantão nos estúdios, hoje a coisa já é diferente. A escolha de um produtor que saiba o que o grupo quer e como conseguir isso é, sem dúvida, de suma importância para qualquer artista que tenha alguma pretensão além de registrar suas músicas para mostrar aos amigos. O gaúcho radicado em São Paulo Marco Nunes é um dos nomes atuantes nesse quesito. O produtor, que já trabalhou com grupos como Chaosfear e, mais recentemente, com uma das lendas do metal nacional, o Genocídio, nos revela um pouco dessa profissão:


1- O Brasil, hoje, já conta com equipamentos de primeira linha, semelhantes aos encontrados nos EUA e Europa, mas ainda estamos um pouco abaixo do que é produzido por lá. O fato de europeus e americanos possuírem um know-how que vem de gerações influi nisso? Na sua opinião, em quanto tempo estaremos aptos a fazer trabalhos que se igualem aos produzidos lá fora? Acredita que falta muito para alcançarmos esse know-how?

Sim, realmente acredito que influencie, afinal, europeus e americanos inventaram o rock e o som pesado, então é até natural que isso ocorra. E em se tratando de som pesado, somente mais recentemente apareceram técnicos no Brasil, que além do domínio do equipamento de gravação também dominassem a estética do estilo. Também acredito que não falta muito para alcançarmos o nível dos técnicos de fora, mas o maior problema é que enquanto nós não desenvolvermos uma estilo próprio, estaremos sempre um passo atrás deles.

Marco Nunes: "acredito que não falta muito para alcançarmos o nível dos técnicos de fora"

2 – Você recentemente trabalhou na produção de The Clan, novo álbum do veterano grupo de metal Genocídio. Como foi trabalhar nesse disco?

Cansativo! (risos) Agora falando sério, foi uma experiência pra lá de desafiadora. O Genocídio é uma banda que já tem uma história de muitos anos e muitos discos. No entanto, achava que eles não tinham gravado ainda um disco que tivesse uma gravação e uma produção à altura de sua importância. Quando me propus a gravá-los, falei que queria fazer um disco que fosse realmente divisor de águas na carreira da banda. Esse pensamento norteou meu trabalho até o final do processo. Dei muita atenção à performance dos músicos, até o ponto de fazê-los quererem me matar! O Gilberto Bressan, que co-produziu comigo a parte de guitarras, especialmente os solos, também contribuiu muito nesse aspecto. Mas, no final, todos nós sobrevivemos e o resultado você pode conferir agora. (N. de R.: o álbum já está disponível pela Mutilation Records).

3- Como você fez para implementar suas ideias sem descaracterizar uma banda com tantos anos de história, como é o caso do Genocídio?
Bem, foi realmente um trabalho difícil. O que acontece muito aqui no Brasil é que a figura do produtor e do engenheiro de som se confundem muito. No metal, isso é ainda mais gritante. Geralmente, a banda entra em estúdio com as músicas estruturadas e toda e qualquer sugestão é olhada com apreensão pelo grupo e com o Genocídio não foi diferente. E o fato da banda já ser conhecida e ter muitos discos dificultou um pouco mais esse processo. No entanto, à medida que o trabalho avançava e o resultado aparecia, todos fomos nos entendendo melhor e as opiniões foram sendo consideradas.
Como todo produtor, tenho uma forma de trabalho específica e uma sonoridade particular. Por exemplo, não sou adepto a encher a gravação de guitarras-base. Geralmente, uma guitarra para cada lado. Também não costumo saturar muito no drive, o que é um desespero para as bandas! (risos) O peso não vem do nível de drive das guitarras e sim da pegada que os músicos imprimem à composição. Tentamos fazer um disco de padrão internacional, porém com uma sonoridade própria.

Nunes e Genocídio em estúdio


4- O Brasil teve um boom de bandas de heavy metal em meados dos anos 1980, principalmente após a primeira edição do Rock In Rio. Entretanto, ainda que o número de bandas do estilo no País não pare de crescer, existem pouquíssimos nomes quando pensamos em produção. Qual a razão disso? O que é preciso fazer para que cresça o número de pessoas interessadas na produção de discos de heavy metal no Brasil?

Boa pergunta. Acho que daqui para frente teremos mais procura pelo trabalho de produtor, pois as pessoas estão começando a perceber a importância de uma pessoa de fora estruturando uma composição. Uma coisa que percebo muito quando sou contratado é que os músicos me trazem referencias para mixes que são guiadas mais pela afetividade do músico com o disco que pela qualidade técnica em si. Explico: certo artista me procurou dizendo que queria uma mix igual a um disco que ele havia me trazido. Acontece que o disco era uma lástima em termos de mixagem, mas o cliente tinha um vínculo emocional com o som. Foi quando comecei a perceber que o aspecto produção era tão importante quanto uma boa mix. Afinal, não adianta ter um puta disco bem gravado com músicas medíocres! É como passar chantilly no cocô, ele nunca vai se tornar bolo de chocolate!
A partir desta consciência, acredito que o mercado vá se expandir, como já acontece em outros estilos, como o pop, por exemplo.

Crédito: Liety Pucca

5- Muitos músicos de heavy metal no Brasil acabam assinando eles mesmos a produção de seus discos. Isso se dá ao fato de poucos darem a importância necessária a esse aspecto ou mais pela escassez de produtores no País qualificados para realizarem esse trabalho?

Sim, poucos dão importância ao produtor, basicamente por dois motivos principais: o fato do papel de produtor se confundir com o de engenheiro de áudio e, geralmente, o músico de metal não curte outros estilos musicais, onde o produtor tem importância fundamental no processo. O rock e o pop são celeiros de excelentes produtores. Gosto muito do Quincy Jones (Michel Jackson), Alan Parson (Pink Floyd), Jack Joseph Puig (John Mayer), Oliver Leiber (The Corrs), Marius de Vrie (Björk). No metal, meus preferidos são Scott Humphrey (Rob Zombie), Bob Rock (Metallica, Motley Crue), Peter Tagtgren (Hypocrisy) Terry Date (Deftones) e Ross Robinson (Korn). No Brasil, temos inúmeros profissionais qualificados para produção e acredito que, em breve, teremos uma maior procura pelo trabalho de produtor pelas bandas de metal!

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SELVAGERIA – ENTREVISTA

Posted by fivetorock em dezembro 7, 2009

O Metal praticado nos anos 1980 está tendo um ‘revival’ no mundo todo, inclusive no Brasil. Poderíamos dizer que tal estilo está na moda novamente, certo? Errado! Para seus fãs os anos 1980 jamais foram moda. Pelo menos no que se refere ao Metal. Uma das provas de sua força se encontra no grupo paulista de Speed/Thrash Metal Selvageria. Junto de nomes como Comando Nuclear, Flageladör, Guerrilha, Vingança Suprema, entre inúmeros outros, o conjunto resgata a atitude e a sonoridade das bandas oitentistas, além da tradição de cantarem em português. Confira o que o vocalista Gustavo fala sobre esse e outros assuntos na entrevista abaixo:

1 – O Selvageria faz um Metal cantado em português. O que motivou essa nova cena com grupos cantando em nossa língua e influenciados pelas bandas nacionais da década de 1980?

O ‘Metal 80´s’ cantado em português serviu como fonte de inspiração para a nossa e algumas outras bandas da cena. Cantamos em português para mostrar que esse estilo, que ficou um tempo ”adormecido”, ainda é forte e está mais vivo do que nunca.


Gustavo

2 – Qual a principal diferença entre o Metal atual e o praticado na década de 1980?

O Heavy Metal em geral teve seu auge na década de 1980. Foi uma época que chocou vários países do mundo e não foi por acaso, pois era feito com alma, pegada e originalidade em todos os aspectos: som, visual, capas, mensagens etc. É uma grande besteira alguém hoje dizer que o Metal tem que ser ”inovador”, como muitas bandas novas dizem por aí. Isso é uma grande besteira. Como inovar uma coisa que já foi inventada da melhor maneira possível? Eu não acredito nesse tipo de coisa.


3 – O primeiro trabalho do Selvageria, a Demo Metal Invasor, obteve grande receptividade. Para quando está previsto o ‘debut’ e o que os fãs podem esperar desse trabalho?

O ‘debut’ vai seguir exatamente a mesma linha da Demo Metal Invasor, o velho Speed Metal 80´s cantado em português, rápido, cortante e cru. Está previsto para o mês de novembro deste ano. (N. do E.: O ‘debut’ do Selvageria, auto-intitulado, já está disponível e conta com cinco faixas inéditas, além da regravação das quatro faixas contidas na Demo Metal Invasor, já com o atual line-up.)

Selvageria: resgatando as tradições do Metal oitentista

4 – Mesmo reverenciando o Metal oitentista, hoje a Internet se tornou uma das principais ferramentas de divulgação dos grupos. Considera isso bom e quais as principais diferenças que temos hoje na cena?

Sim, hoje a Internet acabou facilitando as coisas. Isso tem o lado bom e o ruim.  O lado bom é que temos acesso a materiais extremamente raros, que há alguns anos seriam praticamente inacessíveis. O lado ruim é que todo tipo de material, sejam eles raros ou não, estão espalhados em algum blog pela Internet, disponível para baixar, incluindo, é claro, bandas da nossa geração, gente que está começando e que merece ser apoiada. Toda banda possui despesas de ensaios, estúdio, horas de gravação etc. Enfim, é um assunto bem complicado, é a famosa “faca de dois gumes”.

5 – Com a entrada de novos grupos praticando o Metal cantado em português, muitas bandas da década de 1980 retomaram as atividades. Acha que a cena ainda pode crescer mais?

Com certeza, a cena tende a se fortalecer e crescer cada dia mais. Novas bandas com bastante energia e resgatando o velho espírito de toda aquela atmosfera que existia nos anos 1980 estão surgindo e espero que continue assim.

My Space

Fotolog

Orkut

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ENTREVISTA – MUSTANG (CARLOS LOPES)

Posted by fivetorock em outubro 27, 2009

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A inquietação de Carlos Lopes é proporcional ao seu talento. Como um artista autêntico, desde quando fundou o grupo Dorsal Atlântica, nos anos 80, é até compreensível que Lopes não queira mais falar do passado. Seu foco é a atualidade e o futuro. Por isso, não causou estranheza que tenha pedido, quando solicitado a conceder esta entrevista, que não houvesse perguntas sobre Metal ou Dorsal Atlântica. É notório que Lopes ainda leva consigo a urgência e vontade que o caracterizou desde o começo de sua carreira e que, portanto, não estaria interessado no passado. E ele nos mostra isso não apenas com seu atual grupo, Mustang, mas também na revista O Martelo, que edita, e nos livros que escreve. Abaixo, Lopes nos fala daquilo que esperamos que fale: o presente e o futuro. Confira:

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Carlos Lopes

1- Depois de mais de 20 anos atuando como músico e compositor, diria que o Mustang é a sua realização como artista? Por quê?

Não diria que o Mustang seja minha realização total, porque a bem da razão, nunca me dou por satisfeito, já que, para que a expressão artística seja válida, ela deve se submeter ao momento, ao ato da criação. Cresci, amadureci e minha arte também. Não me reconheço como o adolescente que começou a tocar há 26 anos. Aquela é outra pessoa, tenho orgulho de quem sou hoje, não me importo com o passado. Me sinto mais um artista e menos um músico. Tocar é bom, mas de músicos o mundo está cheio, de artistas que se doam ao seu trabalho, que fazem da arte da comunicação a sua essência, há muito poucos. Meus trabalhos, sejam musicais ou literários, precisam se adequar às necessidades do meu momento, às descobertas, percepções e revelações pessoais. Se alguém me dissesse, no início dos 80, que em 2010 eu estaria gravando e criando, de forma totalmente independente, teria dado uma risada estrondosa.

2 – O Mustang lançou recentemente seu quarto álbum, Santa Fé, que, segundo você, é uma Opera Rock. Esse tipo de abordagem está rareando cada vez mais no mundo da música. Acredita que falta um pouco de “arte” no Rock praticado atualmente?

O CD Santa Fé foi lançado juntamente com a revista O Martelo, em 2009. E a ideia nasceu de uma história engraçada. Estava na redação da revista Rolling Stone, em São Paulo, e um dos jornalistas me falou: “Não tem nada mais morto do que CD e revista!” Tive um insight instantâneo: “Já sei o que vou fazer: ressuscitar os mortos. Lançarei CD e revista e ainda por cima juntos!” Sobre a questão da arte, debato esse assunto há anos com amigos, jornalistas e fãs de música. Não possuo a verdade definitiva, mas tenho a verdade de quem cresceu, acreditou e não se submeteu às agruras do meio ambiente. É importante sobreviver da sua arte? Claro que sim, mas a que preço? O preço depende do tamanho do cérebro e da alma do indivíduo. De fato, não há arte na música há anos. As bandas cover são a prova disso. Música virou apenas um produto, nem pior nem melhor do que um detergente, um lava louças. Se antes valia a criação, hoje o que vale é manter o seu lugar no mercado, um lugar que te garanta a sobrevivência, como se música fosse um emprego público. E por falar em público, ele também é culpado pelas escolhas, não só os músicos ou a imprensa. E a solução? Educação, simples assim. E educação é necessidade, não tem nada a ver com a vontade da elite, essa mesma elite indecorosa que comanda esse País desde a descoberta.

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Mustang: em mutação

O formato de Opera Rock do Santa Fé foi escolhido para que eu pudesse contar uma história com início, meio e fim. Todas as letras são biográficas, falam de amor, traição, mentira, paixão, morte, doença e separação, com um humor negro que permeia toda a obra. O Santa Fé é um disco que, pessoalmente, me fala muito, o primeiro que pude dar um passo na criação de um verdadeiro estilo próprio, a MPR (Música Popular Roqueira) e me afastar do som mais setentista dos discos anteriores. O Mustang, passo a passo, será como foi determinado desde o início: uma banda de canções, sejam rock, funk, soul, psicodélicas ou MPB.

3 – Fora o Mustang, você também escreveu livros, além de manter uma revista eletrônica sobre cultura (O Martelo). Muitas vezes você declarou ser incompreendido por fãs e críticos. Acredita que, com todas essas atividades, você finalmente conseguiu se fazer entender?

Outro dia li algo na internet assim: “O problema do Carlos é que ele amadureceu…” Ou seja, o certo deve ser falar tudo errado, se embebedar, trair sua mulher, não estudar e tocar a mesma música que você compôs com 18 anos? Por que posso me aborrecer com algo que não me pertence? São apenas graus diferentes de percepção, mas para que me
entendam, é necessário um pouco de esforço, de abstração, como também não dá para eu negar os livros que li, as poesias que me emocionaram, os museus que me fizeram chorar, as igrejas que tocaram minha alma, os filmes que me mudaram.

Disponibilizar meus escritos on line, que antes eram editados em publicações convencionais, é parte desse processo de mostrar como penso, como reflito, quem sou. O Martelo é um espaço para discutir assuntos que me interessam e que, se puderem interessar aos leitores, teremos feito um link do bem, positivo.
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Meu último livro se chama O Segredo J e é uma espécie de Código Da Vinci somado a um humor bem crítico. Fiz uma pesquisa séria em 5 anos sobre as mortes de diversas personalidades do Rock e da política, como John Lennon, John Kennedy, Getúlio Vargas, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Juscelino Kubitschek, entre outros. O que pude comprovar é que as mortes, ou assassinatos, parecem ser obra de um mesmo mandante, uma organização que refreou o fortalecimento da contracultura e de ideais libertários a partir da Segunda Guerra Mundial.

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Revista O Martelo

4 – Com o advento da internet e a evolução da tecnologia, muitos garotos estão gravando suas músicas em casa, no melhor estilo “do-it-yourself” que caracterizou o Punk na década de 70. Entretanto, há pouco contato social e a interatividade entre os jovens está cada vez mais se restringindo ao próprio quarto, em frente ao computador. A geração de hoje estaria em uma espécie de “limbo” entre o fazer “autêntico” e a artificialidade da tecnologia ou uma coisa não exclui a outra?

Você perguntou e respondeu otimamente bem, nem preciso acrescentar nada :-)

5 – Analisando toda a sua carreira e os caminhos que tomou, gostaria que o Mustang tivesse sido sua banda desde o início ou o grupo só pode existir hoje por conta das experiências que vivenciou? Por quanto você ainda se vê atuando como músico?

Não poderia ter criado o Mustang antes do seu, do meu próprio tempo. O que criei com 18 anos foi reflexo dos pensamentos de uma pessoa com 18 anos. O Mustang é fruto de anos de outras experiências, é claro. E, mesmo assim, a banda não é a mesma desde o início, ela tem se metamorfoseado conforme suas necessidades artísticas. Como citei antes, preciso me exprimir, transformar visões muito pessoais e sensibilidades em música, escritos, arte, poesia, imagens. É
impossível parar com isso, é uma benção e uma maldição.

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Capa do livro O Segredo J

Em outubro de 2009 já está sendo composto o novo Mustang, o quinto trabalho da banda e certamente mais livros estão a caminho.
O mercado absorverá esses trabalhos? Seria ótimo, será ótimo.

Acesse:

Mustang

O Martelo

Blog O Martelo

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LITA FORD LANÇA NOVO SINGLE EM SITE DE FETICHE

Posted by fivetorock em setembro 28, 2009

Lita Ford e alguns de seus acessórios

Lita Ford e alguns de seus acessórios

Com o advento da internet, muitos músicos estão explorando novas alternativas de promoção. A musa do Rock/Metal Lita Ford resolveu inovar, mostrando que ainda há muito há ser feito utilizando a rede. Sendo assim, resolveu lançar a música Bed em primeira mão no site www.stockroom.com, o maior portal ligado ao fetiche na internet. A música, que estará presente no novo álbum da vocalista, Wicked Wonderland (o primeiro em 15 anos), trata de assuntos ligados a essa prática sexual, como o bondage. A faixa exclusiva estará disponível no site da Stockroom até o lançamento do álbum, previsto para 06 de outubro de 2009.

Lita Ford: Wicked Wonderland sai em outubro

Lita Ford: Wicked Wonderland sai em outubro

Lita declarou que seu casamento de anos com o vocalista Jim Gillette (ex-Nitro) fez com que ambos se sentissem a vontade para utilizar a imaginação, o que inclui brincadeiras picantes, sendo a Stockroom a principal loja onde buscam produtos. Segundo ela, foi isso que a levou a formar a parceria. A loira também declarou que Wicked Wonderland é uma espécie de “autobiografia sexual”.

A parceria entre Lita e a Stockroom ainda inclui uma linha de produtos intitulada “Lita’s Collection”, uma seleção especial de alguns dos acessórios de fetcihe preferidos do casal.

Fonte:blabbermouth.net

Fotos: divulgação

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SANGRALMA RECRUTA BAIXISTA

Posted by fivetorock em setembro 28, 2009

O baixista Renato Canonico anunciou que não fará mais parte do grupo de Heavy/Thrash paulistano Sangralma. A saída se deu por falta de tempo, ainda que o baixista continuará por tempo indeterminado, como explica o guitarrista Rodrigo Toledo: “A saída do Canonico foi extremamente amigável e ele ainda continua nos dando uma força enquanto não encontramos um substituto”. A banda, que lançou recentemente o single Deliverence e está em fase final de produção de seu primeiro full-lenght, procura outro baixista para dar continuidade ao trabalho. Os interessados podem entrar em contato com o grupo pelo e-mail sangralma@gmail.com ou por meio de seu My Space (www.myspace.com/sangralma).

Sangralma: baixa no line-up

Sangralma: baixa no line-up

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ENTREVISTA – PLASTIQUE NOIR

Posted by fivetorock em setembro 8, 2009

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Talento não escolhe local nem época. Prova disso é que um dos maiores (talvez o maior) nome da música Dark nacional da atualidade venha de Fortaleza, Ceará. O Plastique Noir conseguiu em pouco tempo conquistar um merecido lugar de destaque no Underground nacional. Não por acaso, desde sua formação, em 2005, a banda fez lançamentos independentes, participou de diversas coletâneas (nacionais e internacionais), rodou muitos Estados do Brasil tocando ao vivo e soltou recentemente seu primeiro full-lenght, Dead Pop. O que mais impressiona é a maturidade, profissionalismo e, principalmente, talento contido em suas 14 faixas. O futuro do Plastique Noir é promissor e, em breve, a ensolarada e acolhedora Fortaleza ficará pequena demais para o grupo. Perguntamos sobre esses e outros assuntos ao guitarrista Márcio Mäzela na entrevista a seguir:

1 – Após dois lançamentos, Urban Requiens (2007) e Dead Pop (2009), o Plastique Noir desponta como um dos principais nomes da cena dark nacional. O que significa isso na prática? Quais os próximos passos para o crescimento da banda?

Márcio Mäzela: Realmente é maravilhoso termos nos destacado com nosso trabalho – começamos meio como uma zebra na coisa e acabou dando certo. A galera tem apreciado o que criamos. É uma batalha árdua, temos ocupações paralelas, mas já desfrutamos de algumas coisas bacanas, como tocar e viajar sempre, figurar em coletâneas e sites gringos e termos gravado um disco que saiu prensado de fábrica. Hoje isso não é mais tão essencial, mas pra mim, que toco desde 1997 em bandas, foi uma grande conquista e é um ótimo cartão de visitas, dá sinal de profissionalismo. Os próximos passos são dar continuidade até o fim de 2009 na promoção do Dead Pop, viajar pra onde der, aprimorar nossa técnica e equipamentos e logo mais entrar em estúdio pra gravar músicas completamente inéditas que deverão surpreender.  Em brevíssimo esse material será tocado ao vivo e, se bobear, devemos lançar algo no fim do ano ou no começo do próximo. Outro passo importante é estarmos cada vez mais expandindo nosso campo de atuação para além do âmbito dark, tocando em festivais independentes com bandas de vários estilos e cidades. Os góticos são, certamente, nosso público majoritário, porém a música transcende éticas e estéticas e está aí pra quem quiser apreciar.

Márcio Mäzela

Márcio Mäzela

2 – O Plastique Noir é um grupo de Fortaleza. Quais as vantagens e desvantagens desse fato?

Márcio Mäzela: Em um mundo “desterritorializado”, já não é um obstáculo tão grande estarmos fora do “eixão” sudeste-sul, pois a internet ultrapassa fronteiras e temos contato com muitas pessoas daqui, do Brasil e do mundo, o que facilita turnês, venda de merchandise, amizades etc. Vira e mexe vem alguém com um discurso do tipo “nossa, vocês que vêm de uma terra tão ensolarada, ‘inusitada’, fazem esse som com propriedade” – a gente se diverte pra caramba com isso! Estamos no rock pra nos divertirmos mesmo (ou pra se foder, quando não fazemos as coisas direito)! No dia em que esse negócio não for mais divertido, caio fora e viro açougueiro.

3 – O grupo hoje goza de reconhecimento no exterior, tendo participado de algumas coletâneas estrangeiras. Há planos da banda para turnês fora do Brasil ou mesmo para lançamentos do grupo em outros países?

Márcio Mäzela:: Sim. Desde o começo (2005) temos planos pra isso, porém a velha questão da grana é que nos impede de, até agora, alçar vôos maiores, como sempre alegamos em entrevistas. Nossas letras são em inglês em grande parte por isso, para mais pessoas terem acesso ao que dizemos. Precisamos de bom suporte para viajar, sobretudo pra “gringolândia”, pois as passagens e hospedagens saem bem salgadas – quando dá e se realmente vale a pena, nos sacrificamos, porém é trabalho e é justo sermos apoiados nisso. O que acho foda mesmo é a falta de apoio, principalmente de instituições governamentais, pra gente como nós, que não toca MPB, axé, forró, esse tipo de merda. Em 2007, fizemos de tudo pra conseguir ir pro festival Wave Gotik Treffen, na Alemanha, mas não rolou (esse papo já virou lenda urbana); acabou sendo melhor, pois hoje estamos muito mais coesos, afiados e as portas tão abertas. Sempre tentamos desenrolar essa questão de shows internacionais e uma hora iremos conseguir, pois somos caras muito obstinados e perfeccionistas. Se não der, paciência, temos plena consciência de nosso valor como artistas. O futuro dirá.

Plastique Noir: nível internacional e vontade de crescer

Plastique Noir: nível internacional e vontade de crescer

4- Em Dead Pop, o Plastique Noir transitou por diversos gêneros da música Dark, sem contudo perder suas características e identidade. O quanto as influências pessoais ainda estão presentes na música da banda?

Márcio Mäzela: Hoje, mais maduros, preferimos contextualizar nosso som como “Pos-Punk”, pois é um âmbito bem vasto e que engloba várias coisas que curtimos. Sim, nossa orientação é pro lado sinistro da parada, mas não nos bitolamos nisso. As influências pessoais sempre estão presentes, logicamente, pois somos um grupo de três sujeitos que se unem para criar – e que curtem muitos estilos de som (de Alípio Martins ao Death Metal mais podre) e temos que democratizar a coisa, saber dialogar pra não enfiarmos facas um no outro (risos). Prezamos muito por essa tal identidade, pra quando você ouvir, imediatamente pensar “porra, esse som é Plastique Noir”. Em princípio, a gente flertava muito com Goth e Death Rock, mas hoje queremos acrescentar elementos de Indie Rock, influenciados por essa galera contemporânea, como She Wants Revenge, Interpol, White Lies, Exploding Boy, A Place To Bury Strangers, entre outros, que tem ecos do pós-punk mais sombrio. A faixa de abertura do Dead Pop, Inconstancy, já reflete isso e as supracitadas novas músicas também. No final, é apenas música. Agregamos o que achamos interessante, testamos e, o que não funciona, descartamos sem dó.

5 – A cena Dark hoje foi praticamente dominada pelo Metal, sendo comum que festas e casas noturnas do gênero coloquem bandas como Dimmu Borgir e Paradise Lost na pista. Qual sua opinião sobre isso? Essa mudança chegou a descaracterizar a cena?

Márcio Mäzela: Vivenciamos uma anomia, uma geléia geral que tem prós e contras, assim como tudo na vida. Acho nada a ver misturar alhos com bugalhos, porém isso já não me incomoda mais tanto. Abstraio e foco em apreciar minhas preferências e fazer música de qualidade, com muito feeling. Penso que, se é festa gótica, que toquem som relativo ao Gótico, poxa, pois o Metal é outra ramificação do Pop. Isso é como vender gato por lebre. Gostamos de Metal, mas não iremos usar isso no som do Plastique – inclusive todos nós curtimos pra caralho as bandas que você citou (risos).  Fora o fato de que lidamos com rótulos, nada mais que rótulos. Pra gente, só há música boa ou ruim, que afeta ou não. Creio que isso só descaracteriza a cena quando as pessoas não sabem fazer uma diferenciação mínima. Se as casas de show fazem isso, deve ser pra lucrar mais, pois o Metal é bem mais disseminado que o Gótico em nosso País e o público é maior, por conseguinte. Estamos aqui justamente pra espalhar o som obscuro e mostrar que ele vale a pena. E tem repercutido, a cena tem crescido, há muitas bandas brasileiras ótimas pra levar isso a cabo. Acho que dá pra reverter essa “dominação” se fizermos tudo com paixão e seriedade.

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AFTER:LIFE – ENTREVISTA

Posted by fivetorock em agosto 31, 2009

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Em meio a todas as dificuldades em se manter uma banda de Metal no Brasil, o After:Life segue batalhando em busca de sua evolução, apostando em uma sonoridade técnica e pesada. Após lançar dos belos EPs (A Trade Of Souls, de 2001, e Perpetual Identity, de 2008 ), sendo o último lançado pela gravadora Die Hard Records, o grupo finalmente estabiliza sua formação com André Rima (vocais), Fernado Eiger (guitarras), Felipe Mancuso (guitarra), Marcelo Eiger (baixo), Tont Del Nero (bateria), Anita Cecília (vocais femininos) e Erick Scaryus (teclados), prometendo mais peso ainda em seu primeiro full-lenght. Entrevistamos Fernando Eiger, membro fundador, que garante: “estamos buscando nosso som”.

1 – A banda foi formada em 2000, tendo lançado até o momento dois EPs. Qual a razão de ainda não terem feito um full-lenght? Para quando o grupo pretende soltar o primeiro álbum?

Fernando Eiger: A razão por não termos lançado um full-lenght ainda foi por causa de épocas conturbadas de mudanças em nosso line-up e também porque achava que não era a hora certa. Isso devido a falta de maturidade musical minha e de alguns membros do passado. Hoje, com essa formação atual, estamos no momento certo e trabalhando para isso.

Fernando Corsi Eiger

Fernando Corsi Eiger

2 – O grupo parou e retomou por algumas vezes, tendo trocado de line-up ocasionalmente. O quão difícil é levar adiante uma banda nos moldes do After:Life?

Fernando Eiger: Já passamos por vários line-ups, mas meu irmão Marcelo Eiger (baixo) e eu estamos juntos com o After desde 2000. Não é difícil tocar na banda ou em qualquer outra, acredito. Acho que precisa vontade, comprometimento e paixão para tocar Metal ou Rock. É um ramo difícil de ficar, pois ele vem e vai. Para levar adiante, basta ter uma amizade sólida e profissional ao mesmo tempo.

3 – O EP Perpetual Identy loi lançado pela Die Hard Records. Hoje, a maioria das gravadoras independentes opta por apenas prensar as cópias e fazer a distribuição, não arcando mais com custos de gravação e investindo cada vez menos em marketing e divulgação. Como ocorreu com o After:Life e qual avaliação fazem do trabalho da Die Hard Records até o momento?

Fernando Eiger: Com a Die Hard foi legal, pois meu irmão e eu já conhecíamos o Fausto (um dos proprietários da gravadora) há tempos. Meu irmão marcou uma reunião com ele e a galera de lá, levando o EP pronto. Eles gostaram e decidiram lançar sem hesitar. Estão sempre nos apoiando e vendo que nós tomamos as decisões para o grupo pensando neles. Isso gera uma boa química para trabalhar. Considero a Die Hard uma gravadora muito interessada e competente.

After:Life: começo promissor

After:Life: começo promissor

4 – A sonoridade do grupo transita entre o Metal Progressivo e o Melódico, sem cair diretamente em nenhum rótulo. A ideia sempre foi essa ou acredita que ainda estão buscando a própria sonoridade?

Fernando Eiger: Acho a sonoridade do After bem diferente, pois mesclamos tudo que gostamos de ouvir e um pouco mais. A ideia gira em torno da gente. Não rotularia o som da banda como nada ainda, estamos buscando o som que a gente quer fazer. Mas te digo que não somos Melódico (risos). Nosso próximo lançamento estará bem mais pesado que o Perpetual Identity.

5 – Hoje, é muito difícil para bandas autorais competir com os grupos covers, ocasionando em mais dificuldades em conseguir marcar shows. Isso está mais ligado ao público ou às próprias bandas?

Fernando Eiger: Penso que o mercado para shows de bandas Heavy Metal está bem decadente. Não por causa de grupos covers nem por conta do público, mas por culpa das pessoas que promovem shows e não pesquisam bandas novas. Elas não vão atrás para montar um espetáculo decente ao público. As casas de show estão sim promovendo mais bandas covers, por causa de uma facilidade financeira. Fazer o quê? Pelo menos ainda tem uma galera tocando Metal e Rock. Acho que as bandas autorais brasileiras são muito boas e merecem reconhecimento.

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EXXÓTICA – ENTREVISTA

Posted by fivetorock em agosto 25, 2009

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É possível ser diferente e único fazendo um Rock’n’Roll no sentido mais puro da palavra, usando fantasias, máscaras e cantando em português? Se você pensou sim, pensou no Exxótica. O grupo paulistano formado em 2001 possui em seu currículo diversos lançamentos, alguns fora do tradicional, conquistando inclusive Duplo Disco de Ouro (Capítulo II, de 2004) e Disco de Platina Tripla (com o jogo eletrônico Roko Loko no Castelo do Ratozinger, de 2005), entre outras façanhas, mesmo sendo um grupo independente. Ainda assim, o Exxótica possui muitos objetivos a serem alcançados, como explica o guitarrista e vocalista Daniel Iasbeck na entrevista abaixo:

1 – O Exxótica é conhecido pelas inovações que realizou dentro do mercado fonográfico, como um EP vendido a R$1,99 (O CD Mais Barato do Mundo, 2003), DVD contando com clipes para todas as faixas de um mesmo CD (do álbum Capítulo II, no DVD Ao Vivo, Ao Morte e as Cores, de 2005), tendo inclusive recebido Disco de Ouro em mais de uma oportunidade. Esse tipo de criatividade em inovar nos lançamentos é fundamental para uma banda de Rock conseguir se manter hoje, em uma época de crise e mudanças por conta de downloads na internet?

Daniel Iasbeck: Em primeiro lugar, é gratificante saber que você notou todo esse nosso esforço. Porém, como não alcançamos a mídia mainstream, essas inovações passaram despercebidas pelo grande público e acho isso uma pena. Dá muito trabalho ficar inventando coisas assim sendo uma banda independente. Não sei se esse tipo de atitude é fundamental para um grupo se manter hoje, já que tem muita gente “fazendo o nome” em cima do trivial. Mas, para mim, é uma grande motivação. Tentar ir aonde ninguém foi é o que me faz continuar.

Daniel Iasbeck

Daniel Iasbeck

2 – Fora os lançamentos diferentes, a banda apresenta um visual com máscaras e fantasias, além de manter a identidade do baterista Espectro em segredo. O quanto esses fatores foram significativos para o sucesso do grupo?

Daniel Iasbeck: Muito! Apesar de sermos criticados por estarmos copiando a fórmula de bandas consagradas, como o Kiss, não encontramos ninguém nesses quase 10 anos que tivesse a mesma cara de pau e know how para fazer o que nós fazemos. Então, o Exxótica tornou-se único e acabou conquistando a simpatia dos fãs do gênero que admiram nossa “ousadia”. Já no caso do baterista misterioso, ele foi, na verdade, uma solução para um grande problema que tínhamos e não simplesmente uma ideia para chamar mais atenção.

3 – O grupo está prestes a gravar um novo álbum. Seguindo o histórico da banda, quais as novidades que podemos esperar em relação ao lançamento? E quanto à sonoridade?

Daniel Iasbeck: Particularmente, não admito começar a pensar num novo disco caso não seja pra fazer ele melhor do que todos os outros. Esse é o maior dos desafios. No último disco (Jogos de Azar, lançado em 2008) eu, mais que todo mundo, quis levar a banda numa direção que reflete o meu gosto pessoal, sem pensar no que o Exxótica já representa para os fãs que nos acompanham. Pra mim, é muito difícil tentar ver a coisa do lado de fora e essa é a intenção para esse novo CD: conciliar o que se espera do melhor disco do Exxótica com o que mais nos satisfaça.

Exxótica: sem medo de ser autêntico

Exxótica: sem medo de ser autêntico

4 – O Exxótica sempre optou por cantar em português. Há planos para divulgar a banda no exterior? Nesse caso, haveria possibilidade de cantar em inglês?

Daniel Iasbeck: Não há nenhum plano para o exterior. Não sei se haveria interesse do mercado internacional em uma banda brasileira que usa maquiagem. Nossa intenção, desde o princípio, era fazer o que nós gostaríamos que tivesse existido pra gente: uma banda de Hard Rock com um visual diferente, cantando em nossa própria língua, para que pudéssemos compreender as letras sem maiores esforços.

5 – O Rock básico e descompromissado, a utilização de máscaras e o forte marketing fazem com que o Exxótica seja comparado ao Kiss. Esse tipo de abordagem anda em falta no mundo do Rock atual? Qual avaliação faz da cena Rock de hoje?

Daniel Iasbeck: Bom, eu, sem querer soar arrogante ou pretensioso, não concordo que o Rock do Exxótica seja básico, apesar de muita gente nos categorizar dessa maneira. Talvez as músicas mais chamativas sigam esse modelo, mas elas são exceções à nossa regra. Quem vira realmente fã da banda me diz que gosta do nosso som justamente por ele não ser previsível ou comum. Claro que isso aparece de maneira sutil nas nossas músicas. Estamos longe de fazer Rock Progressivo (risos). Ser comparado ao Kiss só me traz alegrias, pois é a banda que ouço desde que me entendo por gente. São meus heróis e minha maior inspiração. Realmente essa abordagem descompromissada está em falta nos nossos tempos, pois as pessoas, principalmente os músicos, com seus egos inflados, têm medo de passar ridículo sendo eles mesmos. O Exxótica se permite ser boca-suja, sério, alegrinho, brega, escroto e tudo mais, porque nós somos naturalmente assim. Com orgulho!

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ANCESTTRAL – ENTREVISTA

Posted by fivetorock em agosto 8, 2009

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O paulistano Ancesttral conta com gente experiente e que já ralou muito tentando colocar o metal na estrada. Toda essa bagagem pode ser comprovada no primeiro full-lenght do grupo, The Famous Unknown (2007). Heavy/Thrash de primeiro mundo, com composições fortes e marcantes e que acabou até lhes rendendo a alcunha de “Metallica brasileiro” por parte de alguns fãs. Tanto pela voz de Alexandre Grunheidt como pelas composições cheias de riifs cortantes e refrãos marcantes, The Famous Unknown foi taxado como “o disco que o Metallica deveria ter lançado”. Mas, como explica o baixista Renato Canonico na entrevista abaixo, o Ancesttral é muito mais que isso. Após a primeira baixa com a saída do baterista Billy Houster, o grupo prepara agora o seu segundo álbum, que deve vir ainda mais forte e autoral. Já com o line-up completado pela entrada do sergipano André Moreira, a banda possui todos os elementos para fazer história no metal nacional e mundial!

1 – Como se deu a entrada de André Moreira e qual o motivo da escolha?
Renato Canonico: Logo que o Billy deixou a banda, recebemos e-mails de algumas pessoas candidatando-se para o posto. O André foi uma delas. Ele enviou material e de cara a competência dele nos impressionou muito. Conversando com ele algum tempo depois, acordamos que seria precipitada naquela hora a mudança dele de Sergipe para São Paulo. Mas continuamos sempre em contato. Logo após isso, o Rodrigo Oliveira (Korzus) se ofereceu para fazer os shows com a gente e nos ajudar com a composição do novo álbum. Acabamos acomodando-nos com essa situação e deixamos um pouco de lado a procura de um novo baterista para a banda. Mas há alguns meses o André entrou de novo em contato conosco dizendo que teria de vir a São Paulo e queria fazer um teste conosco. Mesmo antes de vir pra cá, ele nos dizia que tinha certeza que seria efetivado na banda. E foi o que aconteceu, ele veio, tocou e nos impressionou, não só com sua técnica, mas também com sua grande vontade de fazer parte da banda, fato que contribuiu muito para a escolha dele.

Renato Canonico

Renato Canonico

2 – Para quando podemos esperar o próximo disco?
Renato Canonico: Essa é uma pergunta que estamos ouvindo muito ultimamente. Nós estamos em fase de pré-produção do novo disco. Temos muitos riffs, umas 13 músicas já encaminhadas, mas desta vez faremos as coisas um pouco diferente. Vamos amadurecer um pouco mais as ideias, trabalhar com mais calma, porque temos de fazer um disco no mínimo melhor do que o The Famous Unknown (TFU). Estamos prevendo alguma coisa para o fim do primeiro semestre do ano que vem.

3 – Em quais aspectos o novo álbum irá superar o debut The Famous Unknown?
Renato Canonico:
O TFU acabou trazendo muita coisa que já existia das bandas anteriores que o Alexandre e eu tínhamos. De cara, a primeira diferença do próximo álbum é que ele terá 100% de composições do Ancesttral. E hoje em dia estamos ouvindo coisas novas; inevitavelmente essas influências estarão presentes no novo disco. Quanto ao resultado final, podem esperar no mínimo a mesma qualidade do TFU.

4 – The Famous Unknown mostrou a cara do Ancesttral e muita gente os comparou ao Metallica. O que acham disso?
Renato Canonico: Essa é outra pergunta que ouvimos muito. E inevitavelmente seríamos comparados ao Metallica por conta de nossa influência e pela semelhança entre a voz do Alexandre e a do James. Mas não nos incomodamos nada com isso, muito pelo contrário. Ser comparado ao Metallica para nós é uma honra! Mas também já nos compararam ao Testament, ao Rob Zombie. Ou seja, só coisa boa. Enquanto as comparações forem estas, estaremos felizes!

Ancesttral: em busca dos próprios caminhos

Ancesttral: em busca dos próprios caminhos

5 – Após lançar e divulgar o primeiro álbum, qual avaliação você faz da atual cena Metal no Brasil?
Renato Canonico: Bem, infelizmente minha avaliação não mudou depois de lançarmos nosso próprio disco. Em minha opinião, a cena Metal no Brasil é quase inexistente. Aqui, quem quiser ter uma banda de Metal tem de ralar muito para conseguir muito pouco de volta. Nós, do Ancesttral, ainda somos privilegiados porque recebemos um feedback muito bom do público no Brasil inteiro. Mas tem muita banda boa no Brasil que nem é conhecida. Temos poucas casas para a divulgação das bandas de som próprio e, ainda assim, só conseguimos tocar se na noite houver uma banda cover para levar público. Muitas bandas também não se ajudam. O pessoal acha que estamos em uma “competição” e não se ligam que estamos todos no mesmo barco e que, se todos se ajudarem, todos se darão bem. Mas, assim como nós, ainda existem pessoas que acreditam no Heavy Metal e continuam proporcionando um meio de divulgarmos nosso som. Há bandas como Torture Squad, Threat, Korzus, Goatlove, Ace 4 Trays, Command 6, Kamala, Sangralma, Der Wahnsinn, grupos que acreditam que só ajudando-nos mutuamente conseguiremos algo melhor para todos.

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